ESSE BLOG CHEGOU AO FIM...
Escrito por Stefano Robert | 4:52 AM | Comentários:
Probabilidades
Urbano odiava sair de casa por causa das probabilidades de alguma coisa acontecer, mesmo que remotas ("se tem 1 % de chance de acontecer, pode acontecer" - dizia, categórico, para a família), assim, ele não saía de casa. Quando o Brasil foi pentacampeão Urbano ficou sozinho em casa, enquanto a família ia até uma pizzaria comemorar. "Um acidente de carro com essa bagunça tem uma probabilidade muito grande de acontecer" - disse. E ficou. Ficou também em casa no casamento da filha, fora do país, porque 'acidente de avião hoje em dia é tão corriqueiro que ninguém percebe mais'. Urbano tinha em mente sair de casa apenas dentro de um caixão indo para o cemitério (local mais provável de seu enterro). Mas o destino não se liga nas probabilidades e em um dia de chuva, Urbano teve que sair de casa, (logo em um dia de chuva).
O carro da esposa morrera no começo de um morro quando a mesma ia visitar um parente. Muito provável acontecer, já que com água caindo do céu como oceanos, entraria água no motor rapidinho. Urbano tentara ligar para um mecânico, mas... inútil dizer que sendo domingo e com chuva, a probabilidade de achar um mecânico era ínfima. Urbano ligou para o cunhado, ninguém atendia. Provavelmente tinha ido almoçar na pizzaria do sogro. Não tinha jeito. Tinha que ser ele. Sair de casa, de carro e com chuva. Com chuva. Se não fosse pela filha pequena que estava com a esposa, deixava o carro lá mesmo e a mulher vinha de táxi. Urbano havia até se esquecido como guiar um carro. Pensava nas probabilidades de alguma coisa não dar certo.
Capotou o carro várias vezes em uma estrada radial super perigosa, provavelmente por causa da pista molhada. Quebrou o pescoço, os dois braços, a perna, todos os dedos do pé esquerdo, alguns do direito, teve vários órgãos vitais perfurados pelas costelas quebradas, mas não morreu. Quando tinha, pela primeira vez, a probabilidade de acontecer com ele alguma coisa, essa alguma coisa não aconteceu. O destino não se liga em probabilidades.
Escrito por Stefano Robert | 5:46 AM | Comentários:
queria ter feito essa charge... tô rindo até agora...
Escrito por Stefano Robert | 8:21 AM | Comentários:
Chega uma época da vida em que tudo o que temos é a nostalgia.
(Otto)
Escrito por Stefano Robert | 6:45 AM | Comentários:
Para o alto e...
Depois de décadas sendo exposto á kriptonita por Lex Luthor, o Super-homem desenvolveu um câncer kriptoniano que o corroía por dentro, causando muita dor (semelhante a dor causada pela morte da esposa, Lois Lane, muitos anos atrás). O governo norte-americano, depois de erguer uma estátua para ele, deixou bem claro que não precisava mais dos seus serviços (novos heróis surgiam todos os dias, todos tão ou mais poderosos do que ele, como por exemplo, o Redentor, que apenas com um gesto tinha explodido uma ilha inteira, cheia de traficantes e assassinos de aluguel). O Super-homem morrera junto com uma época que não existia mais, fazia parte de um passado que não era glorioso para o mundo, nem para ele. Bruce Wayne morrera, Barry Allen também e J'onn J'onz fora para outro planeta. Ele estava totalmente sozinho. Sobrevivia em um hotelzinho barato, junto com ratos e baratas, da minguaria que a aposentadoria do falido "Planeta Diário" lhe pagava (depois de abrir um processo contra o antigo jornal). Mas uma coisa que o governo (nem o resto do mundo) não sabia, é que ele ainda tinha os seus poderes guardados. Com a descoberta do câncer, cientistas do mundo todo afirmaram que a doença prejudicaria os seus poderes, terminando por extingui-los por completo. Ele riu, pois conhecia como ninguém a raça humana e suas teorias falidas. Ele conhecia os humanos muito melhor do que eles mesmo. Tudo bem que ele não pudesse levantar mais um pequeno planeta, mas carros e tanques de guerra era tranqüilo. Isso ninguém sabia e era o seu trunfo, sua carta na manga.
O Super-homem queria preparar sua volta ao mundo dos super-heróis com grande estilo e ali, no último apartamento do hotelzinho, ele vislumbrou um grande incêndio em um prédio super povoado, no centro da cidade. O rádio falava em alguns mortos, vários feridos e uns desaparecidos. Ele correu até a gaveta do surrado guarda-roupa e tirou, junto com várias bolinhas de naftalina, o seu antigo uniforme, com o azul muito desbotado, tossiu mais um pouquinho de sangue e se vestiu, correndo para a janela. Tinha uma frase, um bordão que ele usara muito tempo, mas agora se esquecera. Antes de pular pela janela ele se lembrou e gritou bem alto: "Para o alto e avante" - caiu em cima de várias latas de lixo, dois andares do seu apartamento e quebrou algumas costelas e as duas pernas. "É... talvez os humanos não sejam tão falhos em suas teorias assim"- pensou, antes de desmaiar.
Escrito por Stefano Robert | 5:25 AM | Comentários:
"Engenheiro" do Hawaii - Acústico MTV
Nunca acredite em um cd da banda acima em que tenha só o Humberto Aloísio Gessinger na capa, isso também vale para esse acústico MTV. Gravado em agosto desse ano o trabalho só não despenca geral pela belíssima música "Depois de nós" do ex-engenheiro do hawaii, Carlos Maltz, hoje seguindo carreira solo. Mas não compre o cd só por causa dela, se for assim, compre o trabalho solo do Maltz, "Farinha do mesmo saco" lançado em 2002 e que tem essa música. De resto, tome ataques de egocentrismo do alemão e a vontade dele fazer com a banda atual, as loucuras psicodélicas de anos atrás, época em que a banda era chamada de "Pink Floyd Brasileira" (justamente, diga-se de passagem). As escolhas do repertório foram tão óbvias (basicamente só hits da banda e do trabalho solo do Humberto) que não tem graça nenhuma, nem desperta a curiosidade de quem pensa em comprar o cd. ("era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones"??? Fala sério...). Querendo parecer cult, Humberto divide os vocais com a filha Clara em 'Pose (anos 90)" mas a guria canta mal á beça e eles conseguem estragar uma música muito legal. O disco não tem nada de novo e interessante (talvez só a fonte usada no título, é bem bonita...) e pensando bem... vou pesquisar mais coisas sobre o Carlos Maltz, esse sim, anda valendo a pena.
ps: eu pensei em colocar a capa do cd aqui, mas o computador não quis nem salvar... será um sinal??? Tempos estranhos estes...
Escrito por Stefano Robert | 10:02 AM | Comentários:
Saída (ainda sobre o Ira!...)
Se você ainda não comprou o lançamento "Ira! MTV Acústico" e pretende adquirir esse cd, espere um pouco. Não compre ainda. A gravadora fez a malandragem de soltar as primeiras cópias com 16 músicas ( 5 inéditas) e alguns meses após o lançamento, colocaram mais cópias a disposição, essa com uma música bônus: "Saída". Sendo sacanagem ou não, a música é a melhor versão do cd inteiro. Eu ouvi ontem, emprestado de um primo. Ainda não comprei porque não achei nas lojas aqui onde moro. Eu comprei a primeira gravação e agora vou comprar essa. Para quem conhece a música (assim como eu) vai se espantar com a versão feita pela banda. O cello do Jaime Moncaio se mostra claramente nessa música e a percussão da Michele Abu ganha o reforço do mestre Jung. Demais. Curiosidade: cada integrante do Ira! colocou a música que mais gosta no cd acústico. "Saída" é a predileta do baixista Ricardo Gaspa ( o Nasi colocou 'Rubro Zorro", Jung "Dias de Luta" e o Scandurra colocou 'XV anos"). Seria sacanagem que a versão dele figurasse só no DVD. Vale a pena.
"Saída"
(Edgard Scandurra)
Não vou mais grita que te amo
Nem vou mais pensar se te quero
Se você pretende que eu seja
O futuro da nação
Nem chegue perto, pois eu não sou isso não
Pois eu não sou isso não
Não vou lhe agradar, eu não quero
Nem lhe sustentar, eu espero
Que você me entenda, isso eu quero
Vou rasgar toda gravata
Vou viver na praia
Se quiser venha, mulher
Se quiser venha, mulher
Não vou mais cortar sua grama
Nem vou acatar sua trama
E os homens que se julgam espertos
Vão ficar tão engraçados
Atrás de suas mesas
E vou me sentir tão bem
Que vou lhe sentir também
Escrito por Stefano Robert | 7:21 AM | Comentários:
Músicas desconhecidas que pouquíssimas pessoas conhecem
A dança das borboletas - Zé Ramalho
(Zé Ramalho - Alceu Valença)
As borboletas estão voando
A dança louca das borboletas
Quem vai voar não quer dançar
Só quer voar, avoar...!
As borboletas estão girando
Estão virando a sua cabeça
Quem vai girar não quer cair
Só quer girar! Não caia!
As borboletas estão invadindo
Os apartamentos, cinemas e bares
Esgotos e rios e lagos e mares
Em um rodopio de arrepiar
Derrubam janelas e portas de vidro
Escadas rolantes e nas chaminés
Se sentam e pousam em meio à fumaça
E um arco-íris se sabe o que é....
Se sabe o que é.... Se sabe o que é....
Escrito por Stefano Robert | 12:58 PM | Comentários:
Uma vez eu fiz uma resenha tosca sobre ele... verdade seja dita, não sou o único que pensa assim.
Por que o Psicoacústica é o melhor disco da década de 80?
"Psicoacústica", o mod brazuca, definitivo e pessoal
Alexandre Matias é editor do e-zine Trabalho Sujo
Era muito bom pra ser verdade. Três anos depois de gravar seu primeiro compacto pela gravadora WEA (produzidos por Pena Schmidt), o Ira! ultrapassava as 100 mil cópias vendidas de seu segundo álbum, o alaranjado Vivendo e Não Aprendendo, de 1986. Lançado no ano do Plano Cruzado, que deu aos brasileiros a momentânea sensação de estar saindo do buraco econômico (alguma semelhança com outra realidade mais atual?), o disco caiu nas graças do ouvinte popular e graças às rádios que não eram limitadas a uma ou duas canções por lançamento (bons tempos) tornou-se um dos melhores discos brasileiros de todos os tempos.
Vivendo e Não Aprendendo é um obrigatório à parte. Das dez músicas que compõem o repertório do grupo, seis ganharam as massas: a mod Envelheço na Cidade, a pensativa Dias de Luta, a bucólica Flores em Você (que foi parar na abertura da novela das oito da Globo na época, O Outro), a groovy Vitrine Viva e a rendição ao vivo (e imortal) dos dois lados do primeiro single do grupo, os hinos Gritos na Multidão - quem já ouviu não consegue esquecer o momento que o vocalista Nasi anuncia a música para o público - e Pobre Paulista gravados ao vivo na casa de shows Broadway, em São Paulo. As quatro restantes só não foram para o rádio porque não deu tempo - mas tanto a confessional XV Anos (Vivendo e Não Aprendendo), o rhythm¿n¿blues Tanto Quanto Eu, a fatalista Casa de Papel e o clima punk/blues de Nas Ruas mostravam que não estávamos na frente de uma banda qualquer.
O Ira! transpirava rock clássico. Como o Clash, o Jam, o Hüsker Dü e o Who, o quarteto paulistano saiu do rock tosco e primitivo de seus primeiros discos para mostrar-se um grupo afiado e robusto, com todos os músicos dando o máximo de si para um público fiel e cativo. Marcos Valadão - o Nasi - era um vocalista excepcional e de uma personalidade literalmente gritante. Berrando ao microfone, Nasi não transformava notas em urros, aumentando apenas o volume e a carga de energia em cada sílaba que cantava - sendo agressivo ou passivo se quisesse.
Ao seu lado, um dos maiores guitarristas da história do Brasil, o canhoto Edgard Scandurra tocando sua Fender Stratocaster para destros de cabeça pra baixo, com as cordas posicionadas ao contrário do que deveriam - as agudas acima, as graves embaixo. Reza a lenda que quando criança, o pequeno Edgard começou a tocar violão às escondidas do dono do instrumento, o irmão mais velho, que era destro. Sem poder ajeitar as cordas para tocar do jeito certo, aprendeu a tocar errado e até hoje o faz assim.
Através do mesmo irmão, descobriu e dominou o rock clássico, desmistificando os maiores guitarristas da história do rock já na adolescência. Mas logo descobriu seu próprio som - o punk - e entendeu que por mais rápido que solasse, precisaria por sentimento na música, às vezes deixá-la rugir grotescamente quando necessário. Entre discos dos Ramones, Clash e Sex Pistols, desaprendeu a tocar guitarra, desconstruindo, pela primeira vez, seu instrumento. Até que chegou ao Jam, que fez a conexão com o Who e estava fechado o ciclo: o segredo era liberar a energia. Se entregar por inteiro à canção, deixar o instinto dominar e tocar como se viver dependesse disso. Técnica, conhecimento musical, afinação, pureza sonora - tudo isso era acessório comparado ao ímpeto urgente que o rock imprimia nas pessoas. É a música da alma: soul music. Foi quando ele começou a entender os mods.
O punk e o rock eram contra o sistema e se inspiravam numa fusão de country com blues levadas à crueza que só adolescentes irresponsáveis poderiam conseguir tocar. O mod era a favor da libertação pessoal, dos sentimentos diários, da relação com o indivíduo - e por isso mesmo buscavam na soul music, na moda, na literatura e na identidade nacional formas de afirmação própria. Era o que o rock seria se tivesse o estilo pregado pelos anos 60: internacional, liberal, intelectual, moderno.
Scandurra aplicou o mod sobre seu estilo de vida e transformou o Ira - ainda sem a exclamação - na única banda mod do Brasil. Seguido por Nasi - apelido de infância -, os dois formavam uma dupla imbatível, a melhor resposta brasileira às duplas "vocalista visceral e guitar hero" como Page e Plant, Bono e Edge, Joey e Johnny, Jagger e Richards, Morrisey e Marr. Perto deles, Cazuza e Frejat pareciam tão inofensivos quanto calouros de programas de auditório. Auxiliado pela cozinha firme e forte do baixista Ricardo Gasparetto, o Gaspa, e pelo baterista André Jung (ex-Titãs, que foi trocado por Charles Gavin, que chegou a gravar o compacto Pobre Paulista/Gritos na Multidão), o Ira era um dos maiores segredos do underground paulistano. E o guitarrista era sua arma secreta.
Mudança de Comportamento foi o primeiro LP que, com o hit Núcleo-Base, colocou o grupo (que passaria a assinar com o ponto de exclamação) no mapa do novo rock brasileiro. Mas ali o grupo ainda estava cru e soava como mais uma banda punk - percebiam-se as sutilezas, mas se observadas de perto. Para o segundo disco, o time formado por Pena Schmidt, Liminha e Paulo Junqueiro ajudou o grupo a tirar o melhor de si - mesmo que entre brigas históricas, assunto clássico quando o assunto é a relação entre o Ira! e seus produtores. Mas o trabalho compensou o desgaste e o resultado era evidente em Vivendo e Não Aprendendo e, em grande parte graças a Edgard, era uma banda de rock clássico.
Pegue a seqüência XV Anos/Nas Ruas. Na primeira, o guitarrista começa com uma base tímida a la George Harrison, deixando a cozinha moldar a base da canção. O primeiro solo é puro Roger McGuinn (dos Byrds), enquanto o segundo (sob a volta da primeira estrofe) é puro Jimi Hendrix. Logo, a guitarra passa a disparar pedaços de riffs de surf music e depois volta ao folk da metade da canção. Nas Ruas ela começa com a urgência de um Mick Jones (do Clash) para depois mutar-se num Jimmy Page viajandão, igualmente convincente. Parte da história do rock contada em duas canções, de uma vez só, sem cronologia ou status de importância. Nivelada pela mais tradicional das Fenders, a história da guitarra era lembrada pelo ponto de vista do rock tradicional.
A revolta pregada pelas letras do grupo não era contra o sistema mas uma pequena revolução pessoal. O Ira! não mirava nas massas, observava no fundo dos olhos do ouvinte e dizia verdades que ele temia saber existir. O grupo canta as indecisões da adolescência, a vontade de optar, a formação da consciência e sua escolha entre o certo e o errado: "Quando me sinto assim, volto a ter quinze anos/ Começando tudo de novo, vou me apanhar sorrindo/ Vivendo e não aprendendo/ Eis o homem e esse sou eu/ Que se diz seguro/ Que se diz maduro (...)/Eis o homem que se apanha chorando", Nasi canta sobre a felicidade, a disposição e a insegurança da juventude.
Mas o que importou à gravadora WEA foi o resultado do disco nas lojas que mais tarde chegaria a 165 mil cópias vendidas, no total. Colocou o grupo para tocar no Hollywood Rock de 1988, e, num dos episódios mais infelizes da carreira do Ira!, a produção do festival desligou o som antes que eles pudessem encerrar seu show com Pobre Paulista, dedicada a um grand finale. Edgard espatifou sua guitarra no palco de raiva e o grupo vomitou sua raiva do jeito que grupos de rock clássico fazem: destruindo o próprio camarim.
Esta raiva foi canalizada nas gravações do terceiro disco, Psicoacústica, que aconteceram entre novembro de 87 a janeiro de 88 nos estúdios Nas Nuvens. Era um trabalho conceitual e cerebral, aprofundando e dissecando a revolta que o Ira! via como revolução nos anos da adolescência. Mas sem de deixar de lado a pegada rock¿n¿roll, quilômetros à frente de grupos que levantavam-no como bandeira (vide Made in Brazil, Golpe de Estado, Barão Vermelho ou Tutti-Frutti), e ao mesmo tempo procurando outras possibilidades sonoras.
Psicoacústica traduz o mod para o Brasil de forma definitiva e pessoal. Ao optar pelo marginal como símbolo da cultura nacional, o Ira! pinça O Bandido da Luz Vermelha, filme de Rogério Sganzerla, como centro de seu disco, como o jovem Jimmy (Phil Daniels) de Quadrophenia, do Who. No filme de Sganzerla, um amontoado de referências culturais e populares narrado como um radiojornal ininterrupto ajuda-nos a entender a história do personagem do título, um Robin Hood à brasileira baseado num homônimo verdadeiro - assassino, estuprador e assaltante, o verdadeiro Luz Vermelha não tinha o carisma do ficcional. No cinema, o bandido simpático às suas vítimas torna-se uma versão urbana e moderna do malandro do morro, vilão que vinha ficando datado.
Vilão? Psicoacústica pergunta-se o tempo todo quem é o vilão da história. Questionando todas as autoridades, o disco busca a redenção do brasileiro, cada vez mais marginal, sem ter pra quem recorrer. Ao contrário do punk que arrebanhava a classe operária enquanto um todo, seguindo o caminho inverso da exploração capitalista, o Ira! buscava a reflexão individual, forçando o ouvinte a comparar seus sentimentos com os que o grupo cantava. Esta terapia de autoconhecimento é típica da cultura mod e o Ira! traduzia esta metodologia analítica para a vida do brasileiro urbano, seu principal público alvo.
Mas se nos dois primeiros álbuns o conjunto cercava o ouvinte com todos argumentos em cada canção (abusando do sentimento de coletividade subliminar, transformando cada "eu" das canções num "nós" disfarçado), no novo disco, o Ira! estava disposto a explicar, uma a uma, as facetas de seu ponto de vista. Mirando em inimigos diferentes, o grupo atacava seus inimigos ao mesmo tempo em que confrontam-nos com sua versão dos fatos. Não sobrava ninguém de pé: o bom-mocismo (Receita Para Se Fazer Um Herói), a autodepreciação moral (Pegue Essa Arma), a limitação intelectual (Farto do Rock¿n¿Roll),a repressão social (Manhãs de Domingo), a agressão disfarçada de ordem (Rubro Zorro) e justiça (O Advogado do Diabo) e o esquecimento (Mesmo Distante); todos eram postos no banco dos réus e tinham suas máscaras tiradas frente a sentimentos que poderiam dar margem ao egoísmo, mas que eram simples afirmações de individualidade contra uma sociedade repressora.
Rubro Zorro abre o disco com golpes pesados, mostrando que o instrumental do grupo não apenas estava afiado como sólido e coeso. "Trata-se de um faroeste sobre o terceiro mundo", narra o locutor do filme de Sganzerla, sobre a segunda introdução, mais lenta e tensa que a violência rocker que abre o disco. "O caminho do crime o atrai, como a tentação de um doce" - ao contrapor crime e doce, Nasi canta sobre a transição entre a infância e a idade adulta, a irresponsabilidade adolescente indecisa entre o prazer e o fazer.
O protagonista - "do paraíso, o Zorro", "um inocente na cela de gás", "tesouro dos jornais sem limite algum" - se encontra entre o bem e o mal e sua única certeza é a indecisão. Uma terra sem justiça ("bandidos estão vindo de toda parte") obriga o jovem anti-herói a procurar uma verdade. E sem poder encontrar referenciais para equilibrar-se, o "bom-homem-mau" escolhe a própria consciência, as próprias leis, para manter-se são. Luz Vermelha ou Rubro Zorro se esconde sobre o escarlate do sangue daqueles que considera inimigos para justificar a sua própria bondade. "Era tido como um bom rapaz, qual o Golem" - ao citar o ser fantástico da mitologia judaica (um ser de barro criado através da magia cabala como um escravo sem alma; uma representação metafórica da tecnologia) -, o Ira! mostra como o adolescente está à mercê daquele que primeiro o convencer (aproveitando-se da sua indecisão) e o resto do disco mostrará todas as forças que tentam dominar a mente do jovem.
Musicalmente, Rubro Zorro é um rock vigoroso e tensa com referências flamencas (com vários violões se encontram em canais diferentes, postos por baixo dos outros dois dedicados ao ápice guitarrístico de Edgard). André e Gaspa mantém-se firmes mas móveis, balançando o peso por trás da canção. Durante um solo matador, Nasi cospe dicas para o protagonista (e para o ouvinte): "Seu poder racional! É na cabeça! Personal!". Você só precisa de si mesmo para saber o que é certo na vida e, para isso, use sua própria cabeça. "Sou o inimigo público número 1, por ser tão personal!" - explicita-o o vocalista, mostrando as diferenças entre sociabilidade e individualismo.
Um coral sampleado dá um tom religioso ao início de Manhãs de Domingo, logo trucidado por um riff tocado com firmeza e agressividade. "Nas manhãs de domingo parece que todos olham pra você" - o clima de paranóia é o mesmo de Sunday Morning, do Velvet Underground, mas a ressaca não é moral, "parece que a noite valeu à pena/ (...) Seu rosto ainda reflete uma grande felicidade". O clima muda à metade da música, caindo à metade da velocidade, quando o jovem encontra a repressão familiar: "Sua família o esperava/ Já é hora do almoço/ Todos lhe olham/ Mas você não vê ninguém/ Sua cabeça esta em outro lugar". O clima pesado do reencontro à mesa afirma a certeza que você não está errado, mesmo que tenha que conversar sobre a noite passada com "amigos invisíveis" (tema que se tornaria base do primeiro solo de Edgard, em 1989) - "E as horas se passam: você não mudou!". "E agora o que te espera?", pergunta-se a banda antes de mostrar - com o som - que não importa: você sabe o que é melhor para você mesmo. "Nas ruas é que me sinto bem", grita Edgard (citando a própria Nas Ruas, do disco anterior), afirmando a qualidade urbana do grupo.
A marcial Poder Sorriso Fama dá seqüência à descoberta da maturidade - "Estou aprendendo muito/ Confiando nas pessoas/ Um tiro pelas costas/ Poder, sorriso, fama". Paredes de guitarra e vocais são construídas ao lado da melodia, como uma trilha sonora de ruídos rock. "Ninguém sabe o que sinto", conforma-se e convence-se ao mesmo tempo. A fusão da psicodelia Beatle (graças à introdução Dear Prudence e o trompete mezzo Penny Lane mezzo jazzy) com ska de Receita Para Se Fazer Um Herói encerra o lado A explicando-se didaticamente como a sociedade cria seus mitos, ao pegar "um homem feito de nada como nós", embeber-lhe "a carne de um jeito irracional/ Como a fome, como o ódio" e entregar-lhe aos militares que "depois, perto do fim/ Levanta-se o pendão/ E toca-se o clarim/ Serve-se morto". Quem quer heróis vivos? Não a sociedade.
Uma linha de baixo soturna entre chocalhos e chimbaus tratados na mixagem cria suspense para a entrada de Pegue Essa Arma. A guitarra decompõe-se em ruídos até os primeiros disparos de um solo que surge como o sol alto de um duelo caubói. "Eu sou o grito/ Estou calado/ Você me complica/ Calando sua boca" - é o instinto querendo sair do indivíduo, preso pela autocensura. "Tanta farsa, tanto roubo/ E o boy toma Coca-cola/ Tiro ianque para cima/ Me acertou na testa", berra Nasi, mostrando as conseqüências da submissão ativa - "Terceiro mundo vai explodir!", berra o anão de O Bandido da Luz Vermelha, "Quem estiver sem sapato não sobra!". Edgard coloca os vocais atrás dos de Nasi e, como Andy Gill cantava por baixo de John King (no Gang of Four), emenda: "Tudo muda. É preciso mudar/ Não é facil o perigo passar/ Sua cegueira mais e mais me complica/ Se sua roupa vale mais que a comida/ Se sua pose vale mais que uma vida". O vocalista incita a libertação ao exigir que o protagonista/ouvinte "Pegue essa arma!!", antes de cair num improviso coletivo instrumental memorável. Que arma? O instinto? O rock? Uma arma? Não - a arma que o grupo fala é sua própria individualidade, "É preciso mudar".
Um riff AC/DCiano contesta o próprio rock em Farto do Rock¿n¿Roll. "Eu fico tentando me satisfazer/ Com outros sons, outras batidas, outras pulsações/ O planeta é grande e eu vou descobrir/ Muitas respostas as minhas perguntas agora", canta o próprio Edgard, questionando, como um bom mod, suas próprias escolhas. Rock pesado, ele mostra porque o grupo optou por tantas diferenças sonoras mesmo sendo um grupo de rock. O scratch, feito por Nasi, substituiu o solo, enquanto André Jung bate latas procurando novas percussões. Mais tarde, o grupo abraçaria a eletrônica nesta procura por "outros sons, outras batidas, outras pulsações", que "me faça enxergar além". O vilão aqui é a estática, o comodismo, a imobilidade.
Advogado do Diabo é fruto da faixa anterior. Samba de roda com rap, ela coloca André e Nasi rappeando sobre a verdadeira justiça: "Eu não sou o que dizem que sou/ Nem tu és o que dizem que és/ Me diga promotor/ O seu tempo já passou/ Quem é o vilão dessa história?", sobre pandeiro, baixo e guitarra, "Por isso poupe a pompa e olhe para si!/ Não há quem não corrompa com tanta lei assim/ A sua mesa é fina mais a minha mesa é forte/ Brincando com o destino/ Tratamento e choque!". "Atire a pedra no pequeno mas um dia você vai se queimar", Nasi canta a moral da história para depois exigir "queima!". O solo de guitarra é um dos melhores do disco, fundindo metal, pós-punk, noise, punk, rock e psicodelia. E termina a faixa com um radialista que conta a história do ponto de vista do estado: "Não adianta: tem que haver rico, tem que haver pobre/ Tem que haver branco, tem que haver negro/ Tem que haver patrão, tem que haver empregado/ Porque o povo quer assim". A psicodélica Mesmo Distante visita o primeiro disco do Pink Floyd (The Piper at the Gates of Dawn) e o disco lisérgico dos Rolling Stones (Their Satanic Majesties Request) numa balada sobre memória. "Se você não se lembra/ Então feche os olhos e sinta/ Onde quer que esteja/ O tempo vai voltar". Favorita dos fãs mais radicais do Ira!, ela fechava o disco olhando para o passado como se este fosse o futuro.
O Ira! nunca mais iria tão longe. As más vendagens do disco - que não tinha um hit sequer, causando desconforto na reunião de apresentação do álbum à gravadora, e não vendeu mais que 50 mil cópias - colocaram o grupo como vilões do sucesso. Mas com um disco de capa dupla, com direito a uma capa altamente enigmática (uma espiral em verde e vermelho, cujo efeito saltava aos olhos quando colocávamos os óculos 3-D que acompanhavam o vinil), o Ira! alcançava sua maturidade musical e entrava de vez para a história do rock brasileiro. Com um disco perfeito, sem pontos baixos, sem defeitos ou lapsos - à altura da fase áurea que o grupo passava. Procure-o em sebos de vinil - o LP tem um sabor especial comparado às versões em CD (nunca na íntegra, sempre diluídas em coletâneas) que achataram o som que a produção tanto esmerou para conseguir. E ouvindo-o no volume máximo, encontre uma banda ímpar no cenário nacional.
Escrito por Stefano Robert | 5:42 PM | Comentários:
Morreu o escritor-menino, como disse o Gleuber e eu me lembro que era bem novo quando li a crônica abaixo (a que mais gosto dele) e senti os olhos lacrimejarem. Vai com Deus, Sabino.
A Última Crônica
By Fernando Sabino
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu queria o meu último poema". Não sou um poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome. Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês.
O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando baixinho: "parabéns pra você, parabéns pra você..." e com os pais acompanhando. Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos desesperadas e põe-se a comê-lo.
A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça baixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre um sorriso.
Assim que queria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
Escrito por Stefano Robert | 11:55 AM | Comentários:
Há algumas semanas saiu uma reportagem na Veja sobre bandas novas que seguem fórmulas de bandas ou cantores antigos. Como exemplo o autor da reportagem, Sérgio Martins, citou Skank, Jota Quest, Los Hermanos, Nação Zumbi, que seguem fielmente Lô Borges e Clube da Esquina, Chico Buarque e Caetano Veloso e Gilberto Gil, respectivamente.
O imbecil do jornalista, pra começar, colocou a pérola: os integrantes dos Los Hermanos tentam copiar as letras cabeça de Chico Buarque... bom, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, os compositores da banda, escrevem incrivelmente bem sobre sentimentos, seja ele amor, amizade, ciúme, inveja e tudo mais. Digo ainda que talvez seja atualmente a melhor banda com letras-poemas da atualidade... mas não tem nada de 'letras cabeça', que já ficaria com Humberto Gessinger, Humberto Effe, Edgard Scandurra e muito neguinho da década de 80. Outra coisa, o iletrado do jornalista não sabe que os Los Hermanos não precisam copiar ninguém, eles conseguiram, com muito esforço uma evolução fantástica do primeiro trabalho para este último, "Ventura". Querer copiar o Chico Buarque é querer imitar Deus na criação... ou seja, impossível.
Falando dos 'tribalistas' como saiu na reportagem, não vejo nada de Caetano Veloso ou Gilberto Gil no Nação Zumbi, por exemplo... alguém vê???
O pior ficou pro final, depois de chamar o movimento do 'Clube da Esquina' de 'tedioso', o idiota do jornalista, que insiste em achar que o Jota Quest gosta do Milton Nascimento ou do Lô (quem dera se eles gostassem) ainda disse que Samuel Rosa tentava ressuscitar a carreira do Lô Borges. Duas pedradas... Jota Quest seguidores do Clube da Esquina e Lô Borges tendo a carreira ressuscitada.
Eu nunca gostei de críticas, pois acho uma coisa muito pessoal, ainda mais em uma revista com tiragem maior de um milhão. Mas sinceramente, pensei que depois do Diogo Mainardi a Veja ia escolher melhor quem trabalhasse para ela. Brincadeira, a Veja anda cheia de cretinos.
Escrito por Stefano Robert | 7:07 AM | Comentários:
Esse tal de Rock 'n Roll (em capítulos...)
Capítulo 5
Mutantes ou Doors?
(Por Helbert Militani, especialmente para "O Homem que Comia Sabonetes")
The End of the Dream,
Will be when it Matters.
All things lie
Buddha will forgive me,
Buddha will.
O Fim do sonho,
Será quando Tiver significado
Todas as coisas mentem.
Buda irá me perdoar,
Buda irá.
Quando me faço essa pergunta hoje aos 26 anos, já não sei responder, já sonho, com muita convicção para um lado ou outro. Quando ouvi Doors pela primeira vez tinha cerca de 11 anos e estava na casa de um amigo, que morreu pouco tempo depois de me dar o "Alive She Cried", porque eu não parava de falar da tal música "Laitemaifaire" que eu ouvia ininterruptamente no toca-disco dele e depois no meu, o disco todo. O "Alive She Cried" foi durante algum tempo meu primeiro e único álbum da banda, mas logo veio o filme do Oliver Stone - The Doors e tudo ficou mais fácil (e farofado), na verdade a banda entrou em evidência outra vez e vendeu milhões de discos que voltaram a ser editados, para alegria de fãs como eu, sedentos de novidade. Logo eu começaria meu consumo (quase obsessivo) por tudo que tivesse a palavra Doors, bottons, broches "TODOS" os discos, blusas, bonés, posters, calendários, adesivos, etc... chegaram a me perguntar se eu tinha uma cueca do Doors, obviamente não (porque não tinha pra vender, se tivesse eu comprava!). Entrei de cabeça na história, sabia praticamente todas as letras de cor, ordem das músicas nos discos, de qual álbum era e data de lançamento do mesmo, sem falar dos nomes completos dos integrantes, data de nascimento, cheguei a me tatuar o nome da banda, enfim, eu era o típico fã que toda banda gostaria de ter, até que comecei a fazer parte de uma banda e como não tocava nada e tinha (e tenho) a voz boa, fui cantar, daí a coisa começou a ficar meio louca, porque eu passei a querer ser o próprio Jim Morrison e fazer tudo que ele fez, roupas, trejeitos, entonação (obviamente com 100% de frustração)... e viajei.. tal como o fazia Mr. Mojo Risin, porém com outras drogas, outros caminhos, alguns em comum e cheguei, logicamente em outros pontos, outros portos e conclusões, até
saber minha própria vida e destino. De certa forma, essa banda tem muita importância na minha escolha profissional, hoje sou estudante de teatro, mas até chegar ao teatro passei por uma escola de música e algumas bandas (que não deram certo, meu caminho era outro), e por isso e por tantas outras coisas , ela tenha sido e é muito importante, por ter aguçado minha
curiosidade pela arte, curiosidade essa que me fez com o tempo e uma certa dose de nacionalismo e anti-imperialismo, principalmente o cultura a procurar uma banda brasileira que me desse tanto tesão, que fosse tão cheia de porralouquice e boa quanto Doors, mas que banda seria assim? Eu já havia passado pelos anos 80 e nada do que estava lá interessava, nos 90 e aí Ney redir bai tava muito "entusiasmado", não que eu não ouvisse outras coisas, pelo contrário, eu sempre ouvi muita música e curtia Chico Science e Nação Zumbi e outra bandas do meio mas nada que atraísse atenção como Doors, até que.... um amigo que nunca mais vi, não porque morreu, mas porque mora
em outro planeta, me aplicou os MUTANTES, eu já havia escutado algumas música deles, mas aquela fita, aquela danada daquela fita, tinha as músicas certas que chegaram no momento exato, daí foi bater e "pegar". Saí logo a cata de material da banda e como a grana era pouco comecei a gravar tudo que podia, eu havia encontrado não um, mas três Jim Morrins's, Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee, simplesmente uma das mais, senão mais completa banda do rock que esse pais já viu, são os nossos Beatles, ou melhor, nossos Mutantes e ouvi novamente, muito... e fiz muita loucura ao som de Mutantes (e digo que é muito bom ouvir Riders On The Storn, numa noite de solidão
curtindo um baurets)!? Viva o A e o Z, viva os Mutantes, viva a música do Brasil!!! Existem coisas interessantes no fato de ser fã de uma banda nacional onde a maioria dos integrantes já não estão mais na fama e pode-se de repente trombar como eu trombei com o Arnaldo Baptista em uma fila de teatro, ele e sua companhia Lucinha, ali bem na minha frente, a pouco tempo atrás foi algo muito especial e surpreendente, e triste também, porque pude ver e ouvir no se transformou o Arnaldo do tempo dos Mutantes, depois de muito muito, muito ácido, um quase suicídio e 30 e poucos anos a mais, fiquei sabendo que está produzindo um disco, na qual ele toca todos os instrumentos. Inclusive alguns muito loucos que ele inventou e que ainda continua pintando camisas (peguei o tel dele pra comprar alguma quem quiser pode entrar em contato comigo, que eu repasso os dados) na sua chácara em Juiz de Fora e no apto. aqui de Beagá, as camisas são maravilhosas, podem acreditar. E é assim, quando já nem sou mais tão ligado em Mutantes, quando a música em minha vida se tornou algo tão essencial quanto o ar que respiro, é que encontro um dos ídolos do fim da minha adolescência, e agora mais maduro, medito sobre a pergunta que dá título a esse texto, e penso que cada uma dessas bandas teve forte influência na minha vida, mas que passaram, como as coisas dessa vida que passaram, e se transformaram, como a minha curiosidade que me levou a estudar e ouvir cada vez mais música de diferentes estilos, épocas e localidades, a ponto de atualmente oscilar entre a perfeição de Cartola, Elis, Hermeto, Egberto, Caimmy ou a sutileza e precisão de Jonh Coltraine, Miles Davis, Jaco Pastorius, Fuile Elinton, Billie Holiday ou então a supremacia de Villa Lobos, Beethoven, Vivaldi, Bach, Mozart, Milton Nascimento ou a mesmo o atonalismo das citaras e tablas indianas ou ao pentatonismo oriental, ou a musica tribal, etc... Pra mim o que vale hoje em dia é se a música tem "organicidade", mesmo que eletrônica, que seja honesta, viva e que tenha objetivos artísticos, de preferência, e não comerciais e que obviamente seja bem feita, tenha o mínimo de esmero, sim, levando ao pé da letra os Doors foram porta que se abriram no começo de minha adolescência (o na qual tudo que represente a rebeldia é copia e modelo) e me mostraram uma infinidade de coisas que eu não saberia precisar, da mesma forma acontece com os Mutantes que chegaram nuns momentos de grandes transformações em minha vida, grandes mutações que me constituem enquanto pessoa hoje em dia.
Ora pois pois, Viva Mutantes, Viva Doors, Viva a Melomania!!!
Escrito por Stefano Robert | 10:27 AM | Comentários:
Diálogo fictício ocorrido via Embratel
Ao som de "Em toda parte" do Violeta de Outono
_ Pois é, rapaz. Lembra-se da promessa que fiz aos quinze anos? Aquela que dizia que quando chegasse aos 30 anos eu teria um milhão de reais?
_ Lembro-sim... e daí?
_ Pois é, já consegui cumprir metade da promessa...
_ Sério, você já possui meio milhão de reais?
_ Não, não tenho meio milhão de reais... cheguei aos 30 anos.
Escrito por Stefano Robert | 10:42 AM | Comentários:
Envelheço na cidade
Ao som de "No guilty" dos Beatles
(Dedicado a mim mesmo, por ter nascido, senão não estaria aqui!)
Amanhã eu faço 30 anos... mas sem comemorações, por favor. Na atual fase da minha vida, a letra postada abaixo define fielmente quem eu sou.
Um homem só
(Edgard Scandurra)
ele é um homem
que ninguém entende
anda como um louco
não se dá bem com nenhuma gente
sempre explosivo
nunca está contente
briga com as pessoas
sai chutando latas
como uma criança bem mimada
o que nunca foi
o que nunca foi
o que nunca foi
ele é um homem só
contra todo o mundo
o seu coração está um caco
sem ter esperanças
será que um dia encontrará a paz?
que nunca encontrou
que nunca encontrou
que nunca encontrou
ele vai á praia
se isolar da realidade
mergulhar no alto mar
e lá no fundo se perguntar
ONDE ESTÃO MEUS AMIGOS?
(olhe para mim, eu tenho amor pra dar, não sou tão ruim, não quero ser um só somente um, quero me expandir, me multlipicar, quero me espalhar, como a areia se espalha pelo mar, quero me expandir, me multiplicar, quero me espalhar, como a areia se espalha pelo mar)
voltando á cidade
com aflição e ansiedade
sonha com biquínis
com Isabela Rosselini
mas é um homem só
que não conhece a paixão
suas namoradas são as suas mãos
briga com as pessoas
sai chutando latas
como uma criança bem mimada
o que nunca foi
o que nunca foi
o que nunca foi
o que nunca foi (nunca encontrou)
o que nunca foi (nunca encontrou)
o que nunca foi (nunca encontrou)
Escrito por Stefano Robert | 10:02 AM | Comentários:
Esse tal de rock 'n roll em capítulos
Capítulo 4 - Skank
By Karina Campos, especialmente para "O homem que comia sabonetes"
Falar de Skank. Assim que recebi o convite, achei o máximo. Já que ultimamente, religiosamente, Skank é um som que não me sai dos ouvidos.
No segundo seguinte, veio a realidade: como?
Comecei pensando em oferecer algumas informações básicas sobre a banda, nome dos integrantes, como tudo começou , datas, etc... Desisti. O texto estava ficando muito chato! Então, para informações deste tipo, visitem o site oficial da banda: www.skank.com.br.
O que falar então? Recomecei do ponto mais óbvio e mais fértil: ouvindo. E assim, ouvindo, pensei: mesmo quem nunca ouviu Skank, se ouvir as músicas de forma seqüencial partindo do primeiro álbum, Skank, e terminando em Cosmotron , provavelmente, em um certo momento dirá: é a mesma banda?
É. Nos primeiros álbuns, o que conduzia o som do Skank eram ritmos como reggae, dub, dancehall etc... Nestes tempos, a banda teve um sucesso indiscutível, hits consagrados, e alegrou brasileiros, suíços, alemães, por aí vai.
O que mudaria então? Um certo momento, marcado pela ousadia de se romper com o que já deu certo. Este certo momento se chama Maquinarama, e marca uma guinada no trabalho do Skank. A partir deste álbum, a banda coloca o pé no rock, e esta direção vai ser definitivamente sentida e confirmada em Cosmotron.
Cosmotron é a prova de que fazer música de qualidade é possível, é simples, pra quem sabe. A banda assume os riscos e contraria as fórmulas pop das quais já se serviu, e traz um trabalho que faz da mistura Clube da Esquina-Beatles e "otras cositas mas", algo genial e totalmente harmonioso. Essa coesão faz de Cosmotron um álbum atemporal, como todos os bons álbuns de quem sabe. Isso mesmo, um álbum atemporal, não uma música ou outra marcantes. Cosmotron do começo ao fim, é viciante.
Escrito por Stefano Robert | 12:47 PM | Comentários:
Onde estão meus amigos???
Ao som de "Deserto" do Nenhum de Nós
Todos eles aqui
Onde estão?
Onde moram?
Onde se escondem?
Procurei em todas as placas, praças, bancos, casas, bares, lugares,
Na seção de achados e perdidos
Mas,
Onde estão meus amigos?
Em todas as igrejas, todos os casebres, todas as praias
Todas as pessoas,
Todas as balelas, boatos, verdades,
Todas as mentiras, todos os esconderijos,
Procurei em todos os abrigos,
Onde estão meus amigos?
Por que me abandonaram?
Por que não me levaram?
A solidão que se vive só é angustiante
Em todas estações, sensações, prédios, parques,
Não tenho ninguém comigo,
Onde estão meus amigos?
Escrito por Stefano Robert | 7:11 AM | Comentários:
Tudo bem, já foi postado antes. Mas relendo-o, vejo que passou por isso novamente (é, a gente vai estar sempre passando por esses momentos, até o fim da vida) e não pude ajudá-lo muito, de novo. Mesmo assim, feliz aniversário, primo.
Tinta de Caneta nas Veias
Ao som de "O vento não me levou" de Lô Borges
Certas coisas ficam sem explicação
Tantos porquês soltos em tua mente
Tantas pontas soltas
Fazem um redemoinho
Você abre a porta que tem dentro de você
E usa a tinta de caneta em tuas veias
E escreve em qualquer lugar
No papel de pão
No jornal do teu pai
Nos quadros pintados por teu irmão
No pano de prato da tua mãe
Mas nem ali, você encontra respostas pras tuas questões
Mas é porque algumas coisas não tem mesmo explicação
Como um sorriso bonito
Como um rosto bonito
Como um sorriso cru, com gosto de isopor
Enquanto outrora olhos mais bonitos
Não se quedaram a olhar pra ti
Enquanto ficas procurando explicação
De algo que não tem mesmo explicação
Não tente entender, meu amigo
As respostas não nos pertencem
Viva a tua vida antes que ela acabe
Ou que acabem com ela
"Quando se nasce, já se começa a morrer"
Quando se nasce
Os ponteiros começam a correr
E não tente dar razão
A algumas coisas que simplesmente
Não tem mesmo explicação
Escrito por Stefano Robert | 6:03 AM | Comentários:
E o fim chegou antes do começo
Ao som de "Quem Diria?" dos Engenheiros do Hawaii
Eu sei que é difícil acreditar em certas coisas
O quanto somos céticos?
Luz pra escuridão
Anestesia pra operação
Quem disse que um dia isso tudo existiria?
O passado é aqui e agora
O futuro se faz adiante
Quem diria que um dia a gente iria chegar ao fim?
Filhos matam pais
O amor é comprado na esquina
E é aceito em caso de devolução
O remédio pra curar a vida
É sermos doente de tudo
O quanto somos práticos?
E quando começamos a entender a vida
Ela termina
Em um ato só
desesperado
Escrito por Stefano Robert | 6:04 AM | Comentários:
Jogo
Super engraçado. Tente levar o bêbado o mais longe possível... Quando ele começar a cair para um lado, leve o mouse para lado oposto para endireitá-lo...
http://www.wagenschenke.ch/
Escrito por Stefano Robert | 5:56 AM | Comentários:
Soco em ponta de faca
Ao som de "Um homem só" do Ira!
Entrou no banheiro com os pulsos lacerados levemente, pingando um pouquinho de sangue dentro da banheira transbordando álcool. Ele não queria se matar, só sentir dor (foi por isso que cortou superficialmente os pulsos e enfiou o garfo várias vezes na tomada da cozinha, levando choques bobos de 1.000 volts).
Sua vida, seus dias e suas horas haviam se transformado em sua arena de flagelação. Era durante esse período em que se machucava mais, tudo por não conseguir suportar a dor etérea que doía no corpo todo, não sendo física, mas insuportável.
Não comia há alguns dias e agora se acostumara com a dor no estômago (sua fuga era o festival doloroso que preparava para si mesmo). Se ao menos ele pudesse esquecer... mas todos os dias ele acordava batendo a testa na parede do quarto, tomando café com pó de vidro e pensando em uma nova maneira de sentir dor. Ainda estava submerso na banheira onde ardiam seus pulsos vermelhos quando se lembrou de escovar os dentes. Levantou-se e passou um pouco de dentifrício em um prestobarba novo, suspirou e começou a escovar os dentes vagarosamente, manchando-os rapidamente de sangue, enquanto seus olhos se enchiam d'água.
Escrito por Stefano Robert | 12:05 PM | Comentários:
Eu comprei
Escrito por Stefano
Robert | 5:51 AM
| Comentários:
Ao som de "Tribunal de Causas Realmente Pequenas" do Pato Fu
O segundo número da nova revista "Novos Titãs", mesmo não sendo muito fã da DC. Só que esse grupo foi um dos que eu mais li em minha infância, talvez por isso, por essa repente nostalgia eu tenha comprado a revista. Mas confesso: não me arrependi. O segundo número traz histórias do novo grupo do Asa Noturna (ex-Robin) "Renegados" e histórias dos Novos Novos Titãs (isso ficou feio, mas vai assim mesmo) que do antigo grupo tem o Ciborgue, a Estelar e o Mutano, ainda traz uma nova Moça-Maravilha. O melhor mesmo é ver de volta um dos antigos vilões do grupo e um dos mais bem bolado personagem de hq: o Exterminador. Nesse número ele já detona com o joelho do Impulso (neto de Barry Allen, o Flash original). Maldade! Só pra não dizer que nem tudo são flores, inventaram um novo grupo chamado "Aves de Rapina" que tem como mentora a ex- Batgirl, Bárbara Gordon, atualmente em uma cadeira de rodas e atendendo pelo nome de Oráculo, sendo uma expert em computadores. Cada histórias (ou arco de histórias) ela chama uma combatente do crime para ajudá-la e... pensando bem... o Demolidor esse mês vai arrebentar.

Esse tal de rock 'n roll (em capítulos...)
Capítulo 3 - The Police
The Police e o parque seco
By Cris Alcântara, especialmente para "O homem que comia sabonetes".
Os cinco ingleses caíram assustados dentro de um parque de Brasilia
Seco parque, ar seco, poeira seca, folhas secas, chão seco
mas tudo bonito...
DE DO DO DO,
DE DA DA DA
Os cinco ingleses músicos foram jogados
dentro do parque seco
Estavam presos dentro de um foninho de walk man
Um pequeno e apertado foninho de walk man
Queriam fugir
DE DO DO DO,
DE DA DA DA
Sting o mais falante disse que sabia onde estava
Todas as pessoas que passavam pelo walk man
não olhavam para os cinco músicos,
e eles se assustavam
como assim?
De dentro do foninho de walk man
os cinco ingleses podiam ver
as pessoas estavam sozinhas
ou
os cinco ingleses podiam ver
as pessoas estavam felizes
DE DO DO DO,
DE DA DA DA
O som começou a ficar mais alto
O cinco ingleses gritavam
O som do foninho foi ficando ensurdecedor
O foninho pulsava
pulsava
Até que foi atirado ao chão seco do paque
Os cinco ingleses se espatifaram no chão
DE DO DO DO,
DE DA DA DA
E com o gesto seco
Sting gritava
O som da música parou
Os cinco ingleses brancos
foram se queimando, queimando
queimando sob o sol quente
Seco
There has to be an invisible sun
It gives its heat to everyone
There has to be an invisible sun
That gives us hope when the whole day's done
Sting acordou
estava em casa
na sua cama
branco
olhou pro lado
bebeu um pouco de água
e voltou a dormir...
Escrito por Stefano Robert | 6:12 AM | Comentários:
Tem dias que a gente se sente assim...
Você que está longe e talvez sem saber onde estou
Andei por aí já faz tempo, mas tudo mudou
As coisas parecem iguais
As casas da rua, os quintais
Crianças, os cães e os casais
Que passam e parecem em paz
Parecem não me ver quando apareço e desço a rua outra vez
Ouvi alguém dizer que se lembrou de mim
Sem ter motivo algum
Que o meu tempo passou
E que eu sonhava tanto
Sem medo de viver
No mundo lá fora
Me sinto agora
Tão fora do mundo...
Fora do Mundo - Cálix
(S. Brandão / R. Savassi / A. Godoy / G. Schultze)
Escrito por Stefano Robert | 11:55 AM | Comentários:
Ícaro acorrentado
Ao som de "Infelizmente sou feliz" de Edgard Scandurra
Dedicado á G.R.M.A
Quando o rapaz chegou á beira do precipício ofegava, não por causa do cansaço a que vinha submetendo o corpo nos últimos dias, mas pelo nó que se formava em seu coração e lhe secava a boca. Ouviu o som do mar se chocar contra os faróis na estrada, sentiu o cheiro do sal no ar, dilatando um pouco as narinas. O sol vinha mais do nordeste possível. Quente, voluptuoso, mas passageiro. Ele olhou para o pé esquerdo que continha o grilhão. Estava doendo e inchado (o pé direito já cicatrizara, mas ainda trazia algumas marcas imperceptíveis). Era pesado e fazia um barulho rouco quando arrastava-se pelas rochas. O nó agora ardia no pensamento, tatuado como um código de barra. O sol não estava mais quente. Ele respirou de novo o sal do ar e pulou. No começo o grilhão quase o levou ao chão coberto de água marinha, mas logo depois ele ascendeu sua trajetória e cruzou, voando, várias nuvens. Achava que seria melhor se tivesse sem o grilhão, mas aprendera a conviver com ele em sua viagem rumo ao infinito. Sabia que um dia o grilhão se despedaçaria e só sobraria uma cicatriz apagada, quase inocente por ainda existir.
Escrito por Stefano Robert | 7:51 AM | Comentários:
Dica
Pra quem gosta de Clarice Lispector e Cecília Meirelles (com alguma pitada de Virgínia Wolf) tem que ir ao blog "Egos no Diva" (www.egosnodiva.blogger.com.br). Feito por Karina Campos e Talita Admertides o blog é concentrado em poemas e mais poemas. Embaixo a última pérola postada.
Descanso
(by Karina Campos)
você foi como loucura mansa
trouxe recolhimento morno
de mim a mim mesma
veio de azuis, de pastos,
de luzes acesas nas cidades
abriu um sorriso por demais repentino
no meu quintal
e eu não resisti mais...
deixei-me ser a incontida vontade
de descansar para sempre,
nas linhas da sua mão
Escrito por Stefano Robert | 6:29 AM | Comentários:
Passado
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